segunda-feira, 17 de junho de 2013

Concurso de imbecilidade entre meios de comunicacao e governos estaduais termina empatado

Somos, sim, uma colônia muito subserviente. A julgar pela qualidade intelectual de nossos capitães-do-mato, poderíamos ser vigiados por um espantalho que, ainda assim, teríamos dificuldade de alcançar a liberdade.

Há uma comoção geral na sociedade por causa das manifestações "não são só 20 centavos" - Isso me lembra um quadro de humor - Com uma repercussão que ridicularizou a mídia e os meios de comunicação em geral, com maior ênfase na Globo, por razões fáceis de imaginar.

Até o Arnaldo Jabor, pau-mandado do establishment e queridinho da classe média analfabeta funcional, conjecturou o ocorrido e voltou atrás em uma análise mais equivocada que a primeira. Não sei como ele consegue viver disso.

Me espanta que os governos do RJ e SP, para ficar nos estados com mais influência política real neste país continental ( outra aberração ) sejam governados por estrategistas tão ruins. Burros, até. Não que não tenham outras qualidades ( e vícios ) que os tenham levado ao governo, mas análise política não parece ser o seu forte.

Sérgio Cabral é covarde. Não é de hoje que isso é notório. Começou o governo batendo em estudantes e professores, prendeu líderes dos PMs e Bombeiros e mandou os manifestantes à parada gay, afrontando os valores militares daquelas instituições subordinadas a ele, logo, sem poder de resposta.

Quando percebeu um movimento que pudesse causar algum transtorno aos holofotes ( nem tão grandes, vá lá ) internacionais para a Copa das Confederações e ao Estádio do amigo "novo pobre" Batista, mandou a PM usar força desproporcional contra os manifestantes. Sei que havia vândalos no meio, mas em qual manifestação não há ? E em todas, a polícia controla os ânimos com a força adequada. Bope e Choque não podem usar toda a sua ofensiva não-letal contra manifestantes em um país democrático. Que haja porrada para conter os excessos, mas, chegar ao ponto que chegou no último domingo, 16/06/2013, em que, mesmo com os manifestantes já dispersados, a PM jogou gás lacrimogêneo nas famílias que faziam piquenique na Quinta da Boa-Vista ? Que planejamento tático é este ? É força militar ou é bando ?

Mas, Cabral teme a própria sombra. Não é seguro de suas virtudes políticas. Quase perdeu a eleição para Freixo e Gabeira, ambos sem dinheiro, sem máquina do governo. Precisou aliar-se ao rival Garotinho, precisa do apoio do escravagista Picciani, a quem jurou dar uma vaga de senador, mas que a saúde debilitada do beneficiário e a imperícia do patrocinador não permitiram.

Cabral tem verdadeiro pavor de: Crivella, Lindbergh, Gabeira, Freixo, Brizola Neto, Michel Temer, Clarissa Garotinho e Rodrigo Maia ( mesmo com a quantidade de votos pequena da última eleição, pois são muito novos ainda ). Da mesma forma, acorda suado se sonhar perder o apoio de Dilma ( e Lula ). Tem medo dos Picciani ( não tiro a razão dele ), do Wagner Victer, presidente da CEDAE desde seu primeiro dia de mandato.  Só não teme Pezão, o seu poste.

E por ter medo de tanta gente, Cabral se apavora com multidão até em fila de banco. Não dorme. Tem medo da rejeição popular. Por isso, sempre reprime os movimentos minimamente expressivos como fez agora. É apenas covardia.

Por sua vez, Geraldo Alckmin, manifesta outra modalidade de covardia. Ele é uma espécie de arrimo de família do PSDB paulista. Tem medo de deixar o partido morrer à míngua se perder  o governo. Na verdade, o PSDB é um partido melancólico. Foi fundado por Covas, fez FHC um presidente, disse ter inventado o Real, e inventou a reeleição, e se reelegeu, mesmo com baixa popularidade e todo mundo lá acha que com as mesmas idéias de 20 anos atrás, vai trazer modernidade para o Brasil. Mesmo com o governo do PT não tendo trazido grandes novidades, a aprovação e popularidade da Presidente Dilma, por exemplo, é maior que a alcançada por FHC. Há razões sociológicas e antropológicas para esse fenômeno. Mas muita gente já comentou sobre este tema.

Este desespero de Alckmin é tão verdadeiro que ele encomendou uma pesquisa agora, em junho/2013, para saber de sua aprovação junto ao eleitorado e das suas possibilidades de reeleição. A julgar pelas combinações da pesquisa, parece ter sido encomendada ao espelho mágico da Branca de Neve. O governador PAGOU para saber se ganharia uma eleição de Lula ou Dilma para o governo de SP. Não se assuste se, após a JMJ-Jornada Mundial da Juventude, o Geraldo encomendar uma pesquisa para saber se ganha do Papa Francisco no estado.

E diante deste medo de perder o governo paulista - tradicional reduto tucano, apesar do PSDB manter, ainda, MG, Alckmin foi surpreendido por uma manifestação incompreensível do ponto de vista político - já explico isto. A polícia paulista também desceu o sarrafo, em medidas desproporcionais, nos manifestantes. A justificativa ?  Conter o vandalismo. Geraldo está sozinho. Prefere atirar primeiro e perguntar depois. Vai que aparece algum candidato no meio dessa manifestação e leva o governo de SP. Vai que o Russomano tá no meio...

E diante desta imbecilidade e covardia ( veja que não são ofensas, são constatações ), dos governantes, passeamos pelos jornais impressos, falados e televisionados. NINGUÉM sabe o que está acontecendo. Nenhuma análise se aprofunda mais do que falar de meia-dúzia de mazelas do governo. Inflação, baixo-crescimento, milhões investidos em estádios sem contrapartida em hospitais e escolas ( a Globo não fala esta ). Todo mundo diz: "Não são só 20 centavos!"

A Globo precisa do ícone da classe média, formador de opinião, Arnaldo Jabor, para falar alguma coisa. Pode ser qualquer coisa, porque vai sair entre um gol e outro no telejornal.

O articulista pega um discurso pronto. Chama os manifestantes de vândalos, generaliza ( erro primário para um comentarista ), recorre ao lugar-comum de dizer que essa manifestação é  coisa de pequeno-burguês ( qual manifestação não é ? ) e diz que isso é vontade de aparecer por 20 centavos. Compara-os ao PCC e chama os policiais de coitados no JG.

O movimento continua, os meios de comunicação são obrigados a rever as opiniões sobre os acontecimentos, porque a sociedade parece estar completamente mobilizada. Jabor se retrata na CBN. Teve coragem, verdade. Só que se retrata prejudicado pela emoção da vergonha de ter vociferado contra a manifestação que se agiganta. Resultado: Fala besteira de novo. 

Finalmente, vamos analisar o movimento popular dos últimos dias.

Para isso, preciso que você faça, ou imagine que está fazendo um teste de mobilização.

Procure um lugar, onde você seja conhecido, muito conhecido ou desconhecido e aborde um tema de relevância e apelo social. Aproveite o momento de comoção popular que estamos passando. Pegue a saúde pública, por exemplo. Faça um discurso, interpele as pessoas que passam por você e olham. Não tenha vergonha, você não está fazendo nada de errado, está exercendo sua cidadania e muita gente apanhou e morreu na história do Brasil para te garantir este direito.

Depois de alguns minutos, convença as pessoas que estão te escutando a caminhar contigo por um quilômetro batendo panelas e gritando palavras de ordem por onde passarem. Não ria, eu já fiz algo muito parecido.

É difícil colocar em prática, não é mesmo ?

A verdade, é que não se faz manifestação sem propaganda, sem influência, sem organização e, principalmente, sem dinheiro.

Você sabe quem financia o grupo "passe-livre" ? Conhece ou já ouviu falar de alguém que apoie financeiramente este grupo ?  Não são os mafiosos, os iluminati, ETs, nada disso. 
o sucesso desta manifestação foi uma questão de oportunidade.

Alguns sindicatos, como os dos metroviários e ferroviários de SP, por exemplo, estão ajudando estes movimentos com gente e grana. Não tem nada de errado nisso, é legítimo. Estes sindicatos são controlados por correntes ideológicas do PSTU e PSOL que são partidos de oposição.
Estes partidos estão aproveitando a visibilidade ( principalmente nacional ) do evento da Copa das Confederações, para fazer manifestações. O mote foi a passagem de ônibus. Mas, poderia ser o gasto nos estádios, também. Para estes partidos, vale a visibilidade que este movimento provoca. Claro que há vândalos nestes partidos e fora deles. Não duvide de haver vândalos profissionais. Isso faz parte do movimento, independente de acharmos correto ou elegante.

E existe, sim, um monte de gente insatisfeita, como eu ou você, disposta a participar de um movimento que ouça a nossa voz.

Também há um monte de gente que não tem dinheiro para assistir os jogos da Copa e está revoltado com isso.

E tem gente que está revoltada, mas quer participar pelo  participar, pela quantidade de gente, pelo oba-oba. Ora, já foram 5 ( cinco ) manifestações até agora e o número de participantes aumenta muito a cada evento. Isso acabou virando um carnaval fora de época. Veja as expressões faciais e corporais dos manifestantes nas fotos dos jornais.

E isso não tem nada de revolucionário ou transformador. É um oba-oba dos partidos pequenos, com dinheiro dos sindicatos, num esforço de conscientizar a população, mas o efeito prático é pequeno no curto prazo e praticamente nulo em um espectro maior. Exceto pela propaganda partidária e ideológica feita no local. PT e PC do B fizeram isso nos anos 90 e ainda fazem. Hoje, fica algum constrangimento em reclamar, porque são vidraça situação, mas sempre tem algum cara-de-pau que se propõe a isso. 

Na verdade, pelo medo exagerado dos governadores quanto à repercussão dessas manifestações, ocorreu a violência. Uma bobagem evitável, com um mínimo de inteligência policial. É um movimento sem cabeça. Vai morrer de inanição tão logo acabe a tal Copa, em uns 15 ( quinze ) dias. Pode voltar a dar trabalho na Copa 2014 que é ano de eleição.

Aliás, vamos refletir um pouco sobre esta revolução. Eu tenho a impressão que não será desta vez que viveremos a "primavera brasileira".

1) o que aconteceria ao movimento se as tarifas dos ônibus, cedendo à pressão popular retornassem aos valores anteriores ?

2) estas manifestações expressam alguma reivindicação objetiva ? Há algum líder, que faça exigências ?

3) os manifestantes respondem evasivamente ou assertivamente aos entrevistadores dos meios de comunicação ?

4) se o governo sentasse com alguma suposta liderança do movimento, quais seriam as condições impostas pelos líderes ? qual seria a força dessa negociação ? greve geral ? freio no consumo ? as pessoas desligariam suas televisões, pelo menos ?

5) O movimento visa mudar o governo, parte dele ou promover alguma reforma ( previdenciária, tributária, judiciária, política ) ?

6) Considerando as manifestações nos outros estados, por exemplo, podemos considerar que os militantes de Maceió/AL farão oposição aos senadores de sua UF, Collor e Calheiros ?

7) Por que o repúdio à construção dos estádios não foi manifestado ANTES de o governo gastar o dinheiro ?

8) Os manifestantes contra os investimentos em estádios mudarão sua atitude quanto ao futebol ou à seleção brasileira ?

9) Faz sentido que a gota d'água para esta manifestação tenha sido o reajuste ANUAL de tarifas de ônibus ?

10) Se estamos tão revoltados, por que os estádios continuam lotados com ingressos caríssimos e os shopping-centers estão abarrotados de gente ?


Sim, parece mesmo que a estupidez conquistou os dois lados.

domingo, 16 de junho de 2013

Outra grande manifestação que não coloquei os pés.

Eu costumo perder grandes manifestações.

Foi assim quando derrubaram o Collor.

Na verdade, aprendi com minha mãe e nas escolas públicas, que tive a felicidade de frequentar, que é preciso saber pelo quê se está lutando. Qual a motivação do protesto, porque é muito perigoso ser massa de manobra.

É a velha estória do assinar sem ler.

Há poucos meses, fui a uma manifestação contra o Renan com meu filho. Cidadania se aprende em casa. Movimento exclusivamente popular. meia-dúzia de gatos pingados. Angariamos alguns simpatizantes de última hora, na rua mesmo. 

Aliás, nessas manifestações, cruz credo: que criatividade(!), sempre tem um babaca com uma máscara do Anonymous/V de Vingança. Paciência. É um país livre.

Quando, em 1992, começaram as manifestações contra o Collor que é um político muquirana, safado e ladrão, do tipo que envergonha qualquer democracia, eu não fui. Era manipulação da Globo. Oportunismo do PT e da UNE, de um tal Lindberg Farias, cheio de boas intenções, mas que acabou sucumbindo aos vícios do poder. Recentemente, foi fotografado em uma relação amistosa com o próprio Collor. Fiquei triste, mas, não me senti um palhaço.

Agora, estas manifestações de passagem de ônibus, claro que não é só isso, levam umas bandeiras tímidas, do PSOL, PSTU, até dos veados. Mas a motivação não é clara. Volta ao oportunismo de antes. Vá lá que o evento internacional da Copa das Confederações pede este tipo de manifestação. Mas não foi combinado com a sociedade. É oba-oba. Ninguém sabe a motivação. As pessoas apenas vão protestar pelo protestar. Ninguém sabe se isso não é o ovo da serpente. Nenhuma liderança política vai para o Youtube, que é livre, para falar dos bastidores. Os jornalistas políticos se calam. O movimento cresce. Eu fico logo preocupado, porque, não foi um levante de indignação voluntário do povo. Se fosse, as manifestações do Calheiros teriam tido uma adesão mais representativa. Confesso que esse silêncio me apavora.

Que o PT e PC do B estejam calados, com seus sindicatos e agremiações estudantis cooptados, não me surpreende. Essa virou nossa triste realidade pelega. Funciona, que eu me lembre, desde o Vargas.

Mas as opiniões políticas, os bastidores ocultos, isso me preocupa, sim. Confesso, minha família que me perdoe, que adoraria estar lá tomando porrada e cheirando pimenta. Mas eu preciso de um motivo para sair da minha casa para apanhar e ir para a delegacia. Não é indignação pela indignação. Nós todos precisamos saber qual a motivação, o que veio antes e, muito especialmente, o que virá depois.

E você, sabe de onde veio toda essa indignação, ou ela é mais uma onda de protestos "contra tudo o que aí está" ?